OGUN

Ogum é o Orixá da Lei e seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão e a emoção. É o Trono Regente das milícias celestes, guardiãs dos procedimentos dos seres em todos os sentidos.

Ogum é sinônimo de lei e ordem e seu campo de atuação é a ordenação dos processos e dos procedimentos. O Trono da Lei é eólico e, ao projetar-se, cria a linha pura do ar elemental, já com dois pólos magnéticos ocupados por Orixás diferenciados em todos os aspectos. O pólo magnético positivo é ocupado por Ogum e o pólo negativo é ocupado por Iansã. Esta linha eólica pura dá sustentação a milhões de seres elementais do ar, até que eles estejam aptos a entrar em contato com um segundo elemento. Uns têm como segundo elemento o fogo, outros têm na água seu segundo elemento.

Ogum é o Orixá da guerra, aquele que abre caminhos e toma a iniciativa. É visto como um guerreiro forte e justo. Coragem e nobreza fazem dele um orixá admirado por todos aqueles que se inspiram na energia da ação, do ímpeto e da sabedoria.

Assim como os outros orixás conhecidos no Brasil, ele veio junto com os povos africanos que já o cultuavam e veneravam na África. Ele está presente nas religiões afro-brasileiras Candomblé e na Umbanda.

Em ambas as religiões, ele é representado pela imagem de um guerreiro negro, forte e com uma espada na mão. No Candomblé, ele normalmente é representado com roupas azuis escuras e na Umbanda, com roupas vermelhas. Em alguns terreiros de Umbanda, se usam estátuas católicas no lugar de estátuas de orixás para fazer o sincretismo com a cultura trazida pelos portugueses para cá. Nesses casos, no lugar de Ogum, podemos encontrar a estátua de São Jorge, que é o santo que tem as mesmas características do guerreiro Ogum.

 Seja como Ogum ou como São Jorge, ele é guerreiro. Por isso, é associado a elementos e símbolos pertinentes a essa ocupação. Espadas, objetos de ferro, armaduras e outros aparatos de soldados podem ser relacionados à energia desse orixá.

Lenda 

Ogum vivia em sua aldeia, quando foi requisitado para uma guerra, que não tinha data para acabar. Antes de partir, ele exigiu que seus habitantes dedicassem um dia em sua homenagem, fazendo o sacrifício de jejuar e fazer silêncio absoluto, além de outras oferendas.

Partiu, em sua longa jornada, para os campos de batalha, onde permaneceu sete anos.

No regresso à sua aldeia, caminhou durante muitos dias, sentindo muito cansaço.

A fome e a sede também o atormentavam.

Na primeira casa que encontrou pediu água e comida, mas ninguém o atendeu, permanecendo calados e de olhos fixos no chão.

Resolveu, então, fazer outra tentativa na próxima casa, mas a cena foi a mesma, o que despertou sua ira.

Ele esbravejou com os moradores, exigindo que falassem com ele, mas ninguém o fez.

Não se conformava com tamanha falta de respeito, depois de ter lutado tanto!

Ogun esperava uma recepção calorosa em sua própria aldeia, mas, ao contrário, só encontrou silêncio.

À medida que avançava pelo interior da cidade, a mesma coisa se repetia, casa após casa. Ogun nem imaginava o que estava acontecendo.

Perguntava e não recebia resposta.

Sua ira já estava incontrolável, quando chegou ao centro do povoado, onde haviam muitas pessoas. Estranhou o fato de ninguém estar conversando.

Perguntou a eles onde estavam suas famílias, mas não obteve resposta.

Era uma afronta!

Foi assim que, evocando todos os seus poderes, Ogun dizimou sua própria aldeia.

Caçadores que passavam pela cidade, entre eles seu filho, o reconheceram e tentaram aproximar-se.

Vendo que sua cólera era imensa, resolveram evocar Exú para acalmá-lo.

A ira desse orixá finalmente foi aplacada.

Seu filho, indignado ao ver tanta destruição, indagou o motivo que levou seu pai a cometer tal atrocidade.

Ogun respondeu que aquelas pessoas lhe faltaram com respeito quando não o reconheceram.

Precisavam de um castigo.

Foi, então, que seu filho fez-lhe lembrar da exigência que fizera antes de partir para a guerra.

Ogun, tomado pelo remorso, devido à sua crueldade com pessoas que só estavam obedecendo ordens, abriu o chão com sua espada enterrando-se de pé.

Divindade masculina ioruba, figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal.

Saudação – Ogunhê, Patacuri Ogun!
Sincretismo – São Jorge
Festa – 23 de Abril
Dia de Culto – 3ª Feira
Símbolos – Espadas e Peças de Ferro
Cores – Azul Índigo
Número – 3
Bebida – Cerveja Branca, Vinho Branco, Água de Coco
Comida – Feijoada, Inhame Assado com Feijão Preto
Elemento – Fogo
Ervas – Espada de São Jorge, Arruda, Eucalípto, Alfazema
Flores – Cravos Brancos, Jarro Branco
Animais – Cão
Quizilas – Pântano, Lodo
Local de Oferta – Estradas, Caminhos Abertos, Caminhos-de-Ferro
Domínio - Senhor do Ferro e da Forja, da Guerra, do Bom Combate, das Invenções, Engenharia e da Tecnologia